Medicina-Histórias de Vida

Todo mundo tem uma história pra contar… mas afinal , o que é história ? E de que maneira a Medicina pode extrair dela ferramentas que corroborem com sua prática ?

 

Como afirma Cícero,a história é mestre da vida, e ignorar o que aconteceu antes de termos nascido equivale a sermos sempre crianças.” É a experiência dos antepassados que ilumina e inspira nossa ação para construir o futuro. Conhecer o passado e preservá-lo não é sinal de erudição gratuita,pois o presente e o passado são cerzidos pelo fio da história e da compreensão deste vínculo depende o planejamento do amanhã.

 

A visão histórica é especialmente importante em Medicina,como adverte Littré: “Se a ciência da Medicina não deseja ser rebaixada a um simples ofício,deverá ocupar-se de sua história e cuidar dos velhos monumentos que o passado nos legou.”

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E falando de história ,não teria como deixar de abordar na V edição do Seminário de Humanidades Médicas ,o tema “Histórias de Vida”, embasado nas “Narrativas Médicas” (um tema tão novo e ao mesmo tempo tão antigo), podemos refletir ao longo de dois dias como a história de outros profissionais,dos pacientes e do futuros pacientes influenciam nos futuros profissionais que irão formar e na mudança das práticas daqueles que já tem uma longa caminhada no mercado de trabalho.

 

O evento foi dividido em três blocos:

-Humanização

-Ética e Profissionalismo

– Aborto

Nestes dias foram levantadas grandes discussões,sejam essas no âmbito jurídico ( como agir diante de situações que colocam em risco o ato profissional ?), religioso ( até que ponto é permitido abordar espiritualidade com os nossos pacientes), histórico (o que aprender com as grandes biografias da saúde brasileira ?).

A 1a palestra da manhã,abordou a temática “Medicina Centrada no Paciente”, ministrada pelo Dr. Edgar Gatti, Médico de Família e Comunidade a qual me fez lembrar o relato da acadêmica Aysla Rinaldo de uma experiência que relatou na Oficina de Humanização do Curso Prime em Curitiba(Março de 2017):

“Mas acho que quando se revisa peças, se questiona mecanicamente, é difícil se ter profundidade de relação, de conseguir levar algo de bom. Sinto-me neutra na vida dele, pra não dizer que parece que lhe causei um mal.
Perdão, Francisco. Perdão por eu ter te tratado como um carro. Perdão porque você é uma pessoa que cuida de carros e tem como profissão mecânico. E eu sou uma pessoa que cuida de pessoas e que nunca deve ter uma profissão mecânica.
Eu não sei muito sobre você, mas espero que você possa voltar a cuidar do que precisa cuidar. E que eu nunca me esqueça que não importa se eu me esquecer de perguntar algo a você. Eu posso voltar depois. O que não posso esquecer é que você é uma pessoa
inteira.”

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O grande ponto que o método revela é a experiência da doença (perspectiva do paciente) versus a doença (perspectiva do profissional de saúde).

Em seguida ,Dr. Heitor Spagnol, Geriatra e Paliativista, abordou a temática dos Aspectos Religiosos e Sociais no Paciente Terminal.

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Houve um tempo em que o nosso poder perante a morte era muito pequeno. E por isso, os homens e a s mulheres dedicavam-se a ouvir sua voz e podiam tornar-se sábios na arte de viver. Hoje, nosso poder aumentou ,a morte foi definida como inimiga a ser derrotada,fomos possuídos pela fantasia onipotente de livrarmos de seu toque. Com isso, nós nos tornamos surdos às lições que ela pode nos ensinar. E nós encontramos diante do perigo de que ,quanto mais poderosos formos perante ela (inutilmente,porque só podemos adiar…),mais tolos nos tornaremos na arte de viver.”

Existe uma história imparcial? Sigerist afirma que a história da Medicina,também é Medicina. Ela nos ensina de onde viemos ,onde estamos atualmente e  em qual direção estamos caminhando . Se nosso trabalho não é feito ao acaso,mas segue um plano ,necessitamos da história como um guia.

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E de fato, a biografia de Zilda Arns nos ensinou que atitudes simples e a noção do aproveitamento dos recursos e adequação da linguagem e intervenções aos níveis sócio culturais fazem toda a diferença na intervenção em comunidades que vivem marginalizadas e necessitam dos serviços de saúde. A simplicidade de “um punhado de açúcar,para uma pitada de sal na água filtrada ou fervida” provocou uma grande redução nos níveis de mortalidade infantil.

A Dra Patrícia Deps junto à Dra Norma Suely traçaram esse panorama e revelaram a importância de ícones à serem tomados como exemplo de inspiração para construção de um profissional.

No final do 1o bloco,tivemos a honra de junto com o Dr.  Marco Antônio Cortelazzo discutir Cuidados Paliativos e Dignidade Humana. Ele abordou em sua palestra dados que surpreenderam à muitos, no que tange à estatística- os que mais dispõem desses cuidados são pacientes do sexo masculino e com doenças cardiovasculares,ao contrário do que todos imaginavam, as neoplasias ocupam a 2a posição no ranking dos cuidados paliativos.

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Mesmo para o médico mais experiente nem sempre é fácil sero porta voz de fatos que vão mudar invariável e devastadoramente a vida de um indivíduo. É preciso entender que os corpos não sofrem, mas as pessoas sim.

No 2o bloco,o qual abordou Defesa Profissional e Mercado de Trabalho tivemos a oportunidade de ampliar nossos horizontes quanto aos vínculos trabalhistas na Medicina ,com o Dr. George Carvalho. Quanto à defesa profissional e processo médico pudemos revisitar o Código de Ética Médica junto com o Dr. Carlos Magno, presidente do Conselho Regional de Medicina do ES (CRM-ES).

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Para finalizar este dia,tivemos a oportunidade de participar de um júri simulado do Conselho Regional de Medicina  (CRM-ES) e entender a importância do conhecimento das leis e do regimento profissional para obter um respaldo  em todas as ações realizadas enquanto profissional.

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O 3o bloco,sicitou grandes discussões. Na mesa: Dr. Hélio Angotti, Dr. Leonardo Serafini Penitente e Dr. Cleverson . O que se posiciona contra o aborto,um mediador jurídico ,o favorável à autonomia materna e suas decisões diante do abortamento,respectivamente.

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Grandes discussões foram levantadas: como criar medidas preventivas para não chegar nesse dilema ? Ou ainda, porque não criar uma “oficina de pais”, para que a mulher não enfrente esse dilema sozinha? Se legalizar o aborto ,as taxas aumentam ou diminuem? O que as estatísticas revelam ? A discussão não se encerra aí, a história continua…

 

Para seguir em frente é necessário olhar para trás.

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