Arte e terapia,uma combinação capaz de transformar vidas!

Arte e terapia ocupacional, sim, essa combinação é capaz de transformar vidas. Com o propósito de entender a aplicação da arte como um recurso de terapêutico, a LIAHM em sua 2ª sessão científica do ano de 2016, recebeu a palestrante Adrienny Serri Monfardini ( Terapeuta Ocupacional, graduada pela UFES em 2013; Pós-graduada em Psicologia Hospitalar e Saúde em 2015; Especialização em andamento- Gestão em Saúde pela UFES).

Mas qual seria a definição de Arte? Ou será que é possível defini-la?

A arte, por natureza, é desalienante, é um instrumento para conhecer-se e conhecer a realidade; nesse sentido ela é ‘terapêutica’ e, por natureza ‘profilática’. Ela abre para o sujeito um campo de aquisições, habilitações e prevenções e, pode apresentar-se como um mecanismo de alegria, tensão, prazer e fortalecimento nos processos de potencialização e inclusão social e cultural. A partir dela, reconhecemos limitações e possibilidades, efetivamos novas conexões e novas áreas da vida podem se expandir.

Dentro desse conceito, cabe salientar a necessidade de entender o que seriam atividades dentro do campo artístico.

As atividades artísticas auxiliam na recomposição de universos de subjetivação e de resingularização das atividades das pessoas, constituem – se de linguagens que permitem o compartilhar de experiências, o entendimento de concepções de mundos; e, com isso, auxiliam na compreensão de padrões de vivências que precisam ser completadas e integradas plenamente na experiência de vida dos sujeitos.

Após o entendimento dessas definições, a profissional pelo fato de ter experiência na Terapia Ocupacional, revelou como a arte se torna um instrumento terapêutico:

“No campo da Terapia Ocupacional nos deparamos com uma enorme diversidade cultural associada à dificuldades de expressão e comunicação dos indivíduos. São elementos associados que estão presentes nos indivíduos, com doenças ou deficiências ou em processo de desfiliação social, e derivam das formas pelas quais a família e a sociedade mais próxima lida e se relaciona com o problema. Através das linguagens artísticas podemos potencializar a participação e o acompanhamento do desenvolvimento da atualização cultural e engendrar formas de novas experiências sociais.As atividades artísticas assumem um importante lugar, pois apresentam-se como um sistema de ampliação e potencialização de possibilidades, que se transformam em autoconhecimento e aprofundam a experiência do viver.” ( Adrienny Monfardini, Terapeuta Ocupacional).

No decorrer da sessão científica, tivemos acesso as teorias de 3 autores: Carl Jung, Nise da Silveira e Rui Chamone Jorge. Mas cabem ressaltar as teorias de Nise da Silveira, que acaba por fazer uma releitura de Jung,e a teoria de Rui Chamone Jorge.

 

Um dos expoentes da terapia artística, dentre os profissionais médicos foi Nise da Silveira, psiquiatra brasileira, que sob influência de Carl Jung, incorporou ao estudo da psiquiatria a humanização, a qual estava defasada e com tratamentos agressivos. Ela implantou um ateliê, onde os pacientes podiam expressar seus sentimentos por meio da arte, revolucionando a psiquiatria. Essa maneira de expor os sentimentos era denominada “livre expressão”, ou seja, através da pintura, desenho e modelagem os pacientes praticavam a terapêutica ocupacional ( atividades direcionadas para o tratamento), além de terem suas mais diversas e excêntricas manifestações de humanidade ( singularidades de cada sujeito) colocadas nos mais diversos meios, modos, materiais e contingências.

 Dentro da Terapia Ocupacional, o expoente está na figura do Rui Chamone Jorge, o qual define que : “ é possível a todos os homens transformar materiais e modificar-se no mínimo por se tornar detentor de um novo saber.” Atua com a arte em um modelo sistêmico: o processo histórico que envolve todo o indivíduo influencia em sua expressão. O autor traz a necessidade de formação de grupos de trabalho, visando reabilitar o homem antes para si do que para o outro, tendo em mente, que o indivíduo só produz algo útil na medida em que se identifica com os outros.

Diante de toda essas análises, percebemos enquanto liga acadêmica que juntas, a arte e terapia participam da promoção, prevenção e reabilitação de disfunções físicas e mentais. Tendo a arte como um meio de manifestação do que se sente e vê, seja por meio de pinturas, música, dança, sua externalização promove autoconfiança, criatividade, desenvolvimento cognitivo e psicomotor, satisfação e alegria.

Letícia Dalvi, acadêmica de Medicina do Centro Universitário do ES-UNESC, ocupa o cargo de membro fundador da LIAHM-Liga Acadêmica de Humanidades Médicas, aluna do SEFAM-Seminário de Filosofia Aplicado a Medicina e participante do projeto de Pesquisa acerca dos Livros Hipocráticos.

Referencial Teórico

CASTRO, E. D.; SILVA, D. M. Habitando os campos da arte e da terapia ocupacional: percursos teóricos e reflexões.Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 13, n. 1, p. 1-8, jan./abr. 2002.

CAVALCANTI, A. Terapia Ocupacional: fundamentação & prática. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2011.

Word Federation of Occupational Therapy; Associação Brasileira de Terapia Ocupacional; Centro de Estudos de Terapia Ocupacional – CETO. Definições de Terapia Ocupacional. Lins: Faculdades Salesianas de Lins, 2003.

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