”Ser humano”, eis a questão!

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Com o advento das políticas públicas de humanização a partir do ano de 2001,e implementação da Política Nacional de Humanização em 2004, os olhares voltaram-se para o desenvolvimento destas habilidades( valorização da dimensão subjetiva e social) desde o início da formação dos profissionais da saúde. Tal movimento, decorrente de uma deterioração da relação médico-paciente, na qual o imperativo não são mais as relações humanas,e sim,uma relação comercial, na qual eu ofereço o meu serviço,e aquele que me procura espera nessa oferta o cumprimento do que lhe foi prometido: a cura.Porém, esse assunto ainda compõe o currículo nas graduações em saúde em uma expressividade mínima.

Afinal, o que seriam ”Humanidades Médicas”?

Gallian define como :”resposta da cultura humana frente à necessidade clínica de atender aos valores do enfermo.” A visão do profissional de saúde em apenas solucionar a doença,abarca proporções maiores com o conceito de Humanidades. Além da doença,é preciso enxergar o paciente com suas angústias,pensamentos,sentimentos; compreendendo que toda a atitude do profissional tem uma repercussão no paciente( seja ela positiva,ou negativa), bem como desperta vivências tanto no médico,quanto no que recebe os cuidados.

Cabe aqui salientar que a difusão dos termos ”humanismo” e ”humanização” diferem um pouco do que as humanidades trazem em seu conceito. Quanto ao ”humanismo”, refere-se a uma corrente de pensamentos, na qual difundia durante o Renascimento a valorização do saber crítico,voltado para o conhecimento do homem e desenvolvimento das capacidades humanas. No processo de ”humanização” , por ser um conceito polissêmico abarca o vínculo entre profissional e usuário, qualidade do cuidado, condição de trabalho, modelo de assistência oferecido, formação permanente dos profissionais e direitos dos usuários.(MOREIRA MADM et. al,2015)

Esclarecida,essa diferença,cabe ressaltar que as Humanidades Médicas enquanto ramo da Medicina,compreendem o estudo da Antropologia Médica( estudo dos processos sociais e representações culturais da saúde e enfermidade,bem como da assistência clínica em geral); Sociologia Médica( estudo da relação entre indivíduos e grupos sociais e seu impacto no binômio saúde-doença);Arte, literatura e Medicina( busca entender e reviver outras épocas extraíndo conceitos dos autores e com base nas experiências vividas por eles,aplicar na contemporaneidade); Bioética( estudo dos conceitos éticos que permeiam as relações humanas,bem como de seus valores morais nas decisões clínicas); Comunicação( estudo para o desenvolvimento das habilidades de informação,documentação, terminologia médica e comunicação clínica); História da Medicina ( desenvolvimento de uma narrativa que busca desenvolver uma perspectiva crítica na história natural e social das enfermidades); Psicologia e psicopatologias( a mente enquanto influenciadora do processo saúde-doença); Teoria da Medicina( abrange epistemologia,lógica e antropologia filosófica, buscando formar no indivíduo as habilidades de sabedoria e não apenas conhecimento,racionalidade).

Diante de todo o tema exposto,esse assunto não se esgota aqui. Enquanto acadêmicos,residentes ou Médicos, algo que não podemos perder enquanto virtude é o ato de ”ser humano”, seja enquanto pessoa dotada de sentimentos,seja enquanto indivíduo capaz de enxergar no outro a condição intrínseca e pessoal do homem.

Para estudar a vida humana é necessário estudar o que é o “humano”.( ANGOTTI-NETO,2013)

Referenciais Teóricos:

ANGOTTI-NETO,H. Humanidades Médicas – O Projeto de Edmund Pellegrino. Editorial da Revista Mirabilia Medicinae. 2013/2

CAPRARA, A. & FRANCO, A. L. S. A Relação paciente-médico:
para uma humanização da prática médica. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(3):647-654, jul-set, 1999

GALLIAN,D.; HÉRNANDEZ-CLEMENTE,J. Asuntos y Alcance: ORIGEN HISTÓRICO DE LAS HUMANIDADES MÉDICAS. Editorial da Revista Internacional de Humanidades Médicas,vol 3,nº1,2014.

GALLIAN,D.; HÉRNANDEZ-CLEMENTE,J.,C.; LÁZARO,J. Editorial da Revista Internacional de Humanidades Médicas, vol.1,nº1,2012.

GALLIAN,D.;PONDE,L.,F.;RUIZ,R. Humanização, Humanismo e Humanidades: Problematizando conceitos e práticas no contexto da saúde no Brasil. Revista Internacional de Humanidades Médicas,vol.1,nº1,2012

GONÇALVES, E. C. de A.; FRANZINI, F. Q.; BARZAGHI, N. A.; SILVA, L. C. da; SILVA, D. A. S. PET-SAÚDE: possibilidades e limitações do grupo de trabalho e humanização em unidade básica de saúde. Arq. Cienc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 18, n. 3, p, 205-
207, set./dez. 2014.

KOTTOW,M. Humanidades Médicas: Decorativas ou Substantivas?
O Caso de Literatura e Medicina. Revista Brasileira De Educação Médica.38 (3) : 293 – 298 ; 2014

MOREIRA MADM et al. Políticas públicas de humanização:
revisão integrativa da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, 20(10):3231-3242, 2015

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